Os policiais civis de todo Paraná paralisaram suas funções nesta terça-feira (13/05) para protestar contra a permanência de presos nas delegacias. O ato de repúdio foi marcado depois que o agente de cadeia, Eliel Schimerski Santos, foi morto durante uma tentativa de fuga registrada em Colombo, região metropolitana de Curtitiba,no domingo (dia das mães).
O tumulto na delegacia de Colombo, que fica no centro do município, aconteceu por volta do meio-dia. Segundo o delegado Erineu Portes, durante a entrega do almoço em uma das celas, os presos se rebelaram. Eles tinham uma arma. Houve troca de tiros, um agente de cadeia morreu e outro ficou ferido. Um policial civil também foi atingido.
Em nota o sindicato da categoria (SINCLAPOL) convocou a classe para uma paralisação geral no período de 24 horas.
"CONVOCAÇÃO À CLASSE POLICIAL CIVIL"
É inconcebível que em pleno Século XXI, o Brasil respirando pleno Estado Democrático de Direito, sendo signatário de tratados internacionais de defesa e observância dos direitos humanos e do tratamento digno a todos aqueles a que se submetem a pena privativa de liberdade, no Paraná os presos passem por tratamento degradante, vexatório e humilhante, e ainda, que o serviço essencial e estratégico da Polícia Judiciária seja desviado de sua finalidade, resultando no agravamento dos conflitos sociais, na precarização da apuração das infrações penais, aumentando a impunidade e gerando insegurança àqueles que mais necessitam dessas garantias constitucionais, o Povo paranaense.
A trágica realidade traduzida nas estatísticas de ser o Paraná o Estado possuidor da maior população carcerária do Brasil com mais de 28 mil detentos, sendo 11 mil segregados, em condições sub-humanas em Delegacias de Polícia, não consegue explicar e justificar as cifras gastas todos os anos, sem, contudo alcançar os fins da Lei de Execuções Penais e a tão propalada ressocialização.
Não se pode mais tolerar o esfacelamento do ambiente de trabalho nas unidades policiais a cada dia mais expostas a rebeliões, ao sucateamento e a insalubridade, tornando-os impróprios ao atendimento público, chegando a ser comparados, em muitos casos, aos porões de segregação da idade média e dos campos de concentração nazista e mais impróprios ainda a prática da atividade laboral de seus operadores, que lá estão morrendo na ilegalidade do desvio de função.
A Polícia Cidadã tão propalada e que a sociedade exige, mantém e espera, deve ser garantidora dos direitos mais fundamentais da pessoa humana, salvaguardando aqueles bens jurídicos tutelados pelo direito, a vida, a liberdade, a integridade física e moral, ao patrimônio público e privado e a dignidade da pessoa humana.
Por tudo isso, o Sinclapol CONVOCA, a todos os Policiais Civis, que PARALISEM EM PROTESTO POR 24 HORAS as suas atividades nas Delegacias de todo o Estado, a partir da 00:00 horas de 13 de maio, e para ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, dia 14 de maio, as 18:30 horas em primeira convocação ou as 19:00 horas em segunda convocação na sede da Rua Julio Fleming, 14, Vila Isabel (antiga Guarda Civil), para definir AÇÕES e/ou PARALISAÇÃO POR TEMPO INDETERMINADO, até que uma solução definitiva seja aplicada EFETIVAMENTE, com relação a questão da manutenção de presos e escolta dos mesmos, por parte de Policiais Civis.
Informações: Plantão Policial FB