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  • 22 abril 2026
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Energia solar em Itaipu tem potencial para dobrar capacidade da usina

A Itaipu Binacional está transformando seu gigantesco reservatório, na fronteira entre Brasil e Paraguai, em um laboratório de energia do futuro. O lago da usina possui cerca de 1,3 mil km² de perímetro, quase 170 km de extensão e largura média de 7 km. Além da força da água que já movimenta turbinas capazes de gerar até 14 mil megawatts, a área também começou a ser usada para geração solar flutuante.

 

Desde o fim do ano passado, técnicos dos dois países estudam uma “ilha solar” instalada no lado paraguaio do lago. O projeto conta com 1.584 painéis fotovoltaicos distribuídos em menos de 10 mil m², a 15 metros da margem e sobre águas com cerca de 7 metros de profundidade. A planta gera 1 megawatt-pico, energia suficiente para abastecer cerca de 650 casas, usada apenas no consumo interno da usina.

 

Mais do que produzir energia, a estrutura serve como centro de pesquisa. Engenheiros analisam impactos ambientais, comportamento de peixes e algas, temperatura da água, ação dos ventos, desempenho dos painéis e estabilidade dos flutuadores e ancoragem.

 

Segundo a Itaipu, se 10% do reservatório fosse coberto por placas solares, o potencial teórico seria equivalente a uma nova usina de Itaipu. Apesar disso, a ideia ainda depende de muitos estudos e não está nos planos imediatos. Estimativas apontam que seriam necessários pelo menos quatro anos para implantar uma geração solar de 3 mil MW, cerca de 20% da capacidade atual da hidrelétrica. O investimento inicial foi de US$ 854,5 mil, cerca de R$ 4,3 milhões, realizado por um consórcio entre a brasileira Sunlution e a paraguaia Luxacril.

 

Mas a diversificação energética vai além da energia solar. No Itaipu Parquetec, polo de inovação criado em 2003 em Foz do Iguaçu, mais de 550 mestres e doutores já foram formados em parceria com universidades e empresas.

 

No local funciona o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, que desenvolve o hidrogênio verde, combustível sustentável produzido sem emissão de CO? por meio da eletrólise da água. A estrutura serve para testes e validação de caminhões, ônibus e outros projetos movidos a hidrogênio desenvolvidos pela indústria nacional.

 

Uma dessas pesquisas já ganhou destaque internacional: durante a COP30, em Belém, foi entregue um barco movido a hidrogênio criado a partir dessas tecnologias, destinado à coleta seletiva em comunidades ribeirinhas.

 

Outro braço importante do Parquetec é o centro de gestão energética, focado em células, protótipos e reaproveitamento de baterias para armazenamento de energia em empresas e sistemas fixos.

 

A Itaipu também investe pesado em biogás e biometano. Resíduos orgânicos gerados em restaurantes da usina e materiais apreendidos pela PRF e pelo Ministério da Agricultura deixam de ir para aterros e viram combustível limpo.

 

Na Unidade de Demonstração de Biocombustíveis, administrada pelo CIBiogás, alimentos de contrabando e resíduos passam por biodigestão em grandes tanques e se transformam em biometano, usado para abastecer veículos que circulam dentro da usina.

 

Em quase nove anos de operação, mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos foram processadas, gerando combustível suficiente para rodar cerca de 480 mil quilômetros, o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.

 

Além disso, a planta também desenvolve o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na fabricação de SAF, combustível sustentável para aviação. Especialistas apontam que, nos próximos anos, hidrogênio, biometano e SAF devem liderar a nova era dos combustíveis limpos no Brasil e no mundo.


Fonte: Agência Brasil
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