Notícia

  • 06 abril 2026
  • Sudoeste
Estiagem e calor reduzem produção de leite no Sudoeste do Paraná

A estiagem e as altas temperaturas registradas no primeiro trimestre de 2026 já são sentidas na produção leiteira em comunidades do interior de Francisco Beltrão e São João, municípios do Paraná. Produtores enfrentam dificuldades para manter a produtividade do rebanho diante da falta de água, do estresse térmico dos animais e do aumento no custo da alimentação.

 

O produtor de leite no município de Beltrão e presidente da diretoria provisória da Rural Leite Sudoeste, Maciel Comunello avalia que a escassez hídrica se tornou um dos principais entraves da atividade: “a produção de leite depende diretamente da disponibilidade de água, tanto para o consumo dos animais quanto para a produção de pastagens e silagens. Quando falta água, o impacto é imediato: as vacas reduzem o consumo de alimento, sofrem estresse térmico e diminuem a produção”, afirma.

 

Segundo ele, o calor excessivo agrava ainda mais a situação. “O estresse térmico interfere no metabolismo dos animais, reduz a eficiência alimentar e afeta até a reprodução do rebanho. Em dias muito quentes, a queda na produção pode ser significativa, trazendo prejuízos diretos ao produtor”, destaca.

 

Outro fator que pressiona a atividade é o aumento no custo da alimentação. A quebra da safrinha de milho, provocada pela combinação de calor intenso e chuvas irregulares no Sudoeste, reduziu a oferta de silagem, base da dieta do gado leiteiro. “Com menor oferta, o preço sobe e o produtor precisa gastar mais para manter o mesmo nível de nutrição do rebanho”, explica Comunello.

 

Diante desse cenário, a rentabilidade da atividade fica comprometida. “O produtor acaba tendo que produzir menos, gastando mais, o que torna a situação bastante preocupante”, resume. Ele reforça a necessidade de políticas públicas e apoio técnico para enfrentar períodos críticos, com incentivo à preservação de água e alternativas de manejo alimentar.

 

Na avaliação de Marcos de Carli, médico veterinário do município de São João, o verão já é historicamente um período crítico para a atividade, mas tem se tornado mais severo. “O estresse calórico em animais de alta produção, que hoje predominam na região, predispõe a problemas metabólicos e de saúde. Mesmo propriedades com melhor estrutura conseguem apenas amenizar a situação, não resolver”, observa.

 

Ele também alerta para os impactos da estiagem na qualidade e disponibilidade de água. “Há locais onde falta água até para o consumo dos animais, ou a água disponível não tem qualidade. Isso compromete diretamente a saúde do rebanho, aumenta os custos e, em casos mais graves, pode levar à perda de animais”, afirma.


Fonte: MilkPoint
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