A Frimesa vai deixar de produzir queijos no laticínio de Capanema. A agroindústria pertence à Coagro – Cooperativa Agroindustrial de Capanema – e está arrendada desde 2002 pela Frimesa – Cooperativa Central que tem como sócias cinco cooperativas. Para continuar a produção, seria necessário novos investimentos na readequação da lagoa de decantação dos resíduos e melhorias na indústria.
A informação de que a Frimesa vai suspender as operações na indústria foi dada pelo presidente da Coagro, Sebaldo Waclawowski, no informativo radiofônico da semana passada. Ele fez um relato histórico desde o início desta agroindústria, a década de 1980, e as articulações que foram feitas para mantê-la funcionando.
Sebaldo comentou: “No início, quando a Frimesa veio pra região, tinha pouca produção e recebimento de leite dos produtores. Mas fomos evoluindo e chegamos a passar de 50 mil litros/dia. Agora tão-somente chegava a 18 mil ou 20 mil litros dia”.
Concorrência com empresas familiares
Ele citou, também, a concorrência que a Frimesa vem enfrentando com as empresas do ramo na região. “Por que isso? Devido à concorrência com os laticínios de famílias. É outro jeito de administrar essas empresas. E quais os motivos para se retirar da região na área leite? Primeiro pela pouca produção que vinha recebendo. A indústria precisa de 50 mil litros/dia, no mínimo, para se viabilizar. E o maior problema é o ambiental. Não é só a produção entregue pelos produtores, porque a Frimesa busca leite no posto de resfriamento que mantém em São João, e na indústria de Capanema é tudo feito queijo. Os dejetos da produção de leite são muitos e são poluentes. E as normas do Paraná, da Secretaria do Meio Ambiente, são mais severas que as normas do Serviço de Inspeção Federal, o SIF/Ministério da Agricultura.”
O Instituto Água e Terra do Paraná (IAT) exigiu uma série de melhorias nas lagoas de tratamento dos efluentes. Um levantamento feito pela Frimesa apontou a necessidade de investir R$ 1 milhão nas melhorias das lagoas de tratamento que fica numa chácara adiante do laticínio.
“Um milhão de reais é um absurdo, porque não tá poluindo, não tá complicando, mas são as normas do IAT. O Instituto deu um ultimato pra Coagro e a Frimesa, que se até abril de 2022 não apresentássemos os projetos e cronograma de implantação dessas melhorias nas lagoas, ele não concederia a licença ambiental pra fabricação de queijos”, relatou Sebaldo.
Diante desta situação, a Coagro acionou os políticos – deputados e prefeitos da região – visando modificar essa lei do meio ambiente paranaense. “Houve um empenho muito forte do deputado Nelson Luersen, falamos com o secretário do Meio Ambiente [na época o Márcio Nunes], e o prefeito Américo Bellé, de Capanema, também acompanhou. O presidente da Frimesa também insistiu, e nós não tivemos êxito na mudança da lei. Acenaram com um prazo maior para fazer as modificações, talvez dois ou três anos, mas tem que fazer”, informou o presidente da Cooperativa Coagro.
Outros investimentos
Sebaldo frisou que a direção da Coagro entende que, além de investir R$ 1 milhão na melhoria dos efluentes das lagoas, seria necessário investir mais R$ 4 milhões a R$ 5 milhões em melhorias dos equipamentos das câmaras frias desta indústria. Neste momento, a prioridade da Frimesa, embora tenha laticínios na região Oeste, não é a área leite. Esta central de cooperativas vem investindo na implantação de um dos maiores frigoríficos de suínos do Brasil, em Assis Chateaubriand.
E a visão da Coagro é investir na área de rações. “Estamos com um grande projeto de construir uma fábrica de rações em Planalto, porque se nós não estaremos agregando valor no milho e na soja porque só comprando milho e soja nos não vamos conseguir competir com as outras empresas que compram milho e soja.”
Outro destino
Desde setembro de 2020 o conselho administrativo da Coagro autorizou a diretoria executiva a colocar à venda este laticínio. “Nós já estamos tratando desse assunto há mais de um ano e meio. Tivemos o interesse do Grupo Copini, de Planalto, mas a negociação não evoluiu. Agora estamos tratando com outra empresa de leite na venda ou parceria nessa indústria com a saída da Frimesa. Estamos trabalhando nesse sentido”, adiantou o líder cooperativista.
Quando a Coagro iniciou nesta atividade do leite, 1.300 produtores estavam integrados. Agora, são 58 produtores e 18 a 20 mil litros/dia entregues à indústria. Para Sebaldo, outro grupo assumirá a fábrica.
“Se as negociações evoluírem, eles serão atendidos pela empresa que vai tocar esse laticínio. E hoje é diferente de 1988, hoje tem oito laticínios captando leite na nossa região. É só escolher a melhor opção”, ressaltou o presidente.
A indústria continua funcionando e emprega 44 funcionários. O encerramento das atividades está previsto para o fim de abril.
Fonte: JORNAL DE BELTRÃO | FOTO: REPRODUÇÃO