Seis dos oito casos de febre amarela no Paraná são registrados no sudoeste. Entre eles, dois foram apontados no município de Clevelândia, três em Coronel Domingos Soares e um em Mangueirinha — ambos em locais de mata fechada.
Apesar do aparecimento de macacos mortos na região portando o vírus da febre amarela, a doença ainda não se manifestou em humanos, no Sudoeste. Porém, por se tratar de um período onde são esperadas mais notificações e ocorrências da doença, principalmente na população, é importante a vacinação, pois, essa é a única forma de se prevenir.
Emanuelle Gemin Pouzato, médica veterinária da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores da divulgação da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), reforça que a vacina é essencial para toda a população com idade entre nove meses e 60 anos.
Porém, como ela explica, a vacina é ainda mais necessária para pessoas residentes em áreas de mata — locais em que os mosquitos transmissores do vírus da febre amarela se encontram. “A população que está na área rural está mais suscetível a doença. É para elas que precisamos reforçar a importância da vacina”, disse.
Estamos livres de se contaminar?
De acordo com a médica veterinária, o Ministério da Saúde considera essencial e seguro, que a população com menos de um ano de idade, apresente um índice de cobertura vacinal acima de 95%.
No entanto, essa taxa não é alcançada no Sudoeste. Na microrregião de Pato Branco, da 7ª Regional de Saúde, esse índice está em 80,67% enquanto que na regional de Beltrão, sob cobertura da 8ª RS, o percentual é de 68,81%.
Diante das médias das duas regionais e da forte presença da doença na região, principalmente entre dezembro e maio de 2021, os municípios do Sudoeste, em especial os que já apresentam a existência da febre amarela, têm intensificado as campanhas de vacinação e solicitado à população que procure a unidade de saúde mais próxima de sua residência para verificar sua carteira de vacinação.
Corredor ecológico
Conforme Emanuelle, a presença da doença na região, neste período epidemiológico, já era esperada, tendo em vista que o Sudoeste faz parte do corredor ecológico por onde a doença passará.
Segundo ela, os municípios da região já vem sendo preparados para o trato com a doença desde o início do ano. “Estamos orientando eles a estarem alertos nas notificações, a como fazer a coleta de amostras e como encaminhar esse material para o laboratório”, explicou.
Emanuelle comenta ainda que, a doença está percorrendo a calha do rio Iguaçú. Ela explica que o vírus causador da febre amarela está se amplificando no Sudoeste e está seguindo para o Oeste. “ Por isso, é importante conscientizar a população que o macaco não é transmissor da doença, ele é tão suscetível quanto nós. Ele sinaliza onde está ocorrendo a doença, por isso que é tão importante que façamos o monitoramento da morte dos macacos.”
O que é a febre amarela?
Conforme o Ministério da Saúde, “a febre amarela é uma doença febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias) e de gravidade variável, cuja agente etiológico é um arbovírus do gênero Flavivírus. A forma grave caracteriza-se clinicamente por manifestações de insuficiência hepática e renal que podem levar a morte.”
Antes do surgimento da vacina contra a doença, como aponta o Ministério da Saúde, a febre amarela foi responsável por um grande número de mortes entre o século XVIII e o início do século XX.
Fonte: DIÁRIO DO SUDOESTE | FOTO: DIVULGAÇÃO